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quinta-feira, 30 de março de 2017

Conheça a história do Vale do Silício



Há algum tempo surgiu um meme na internet que era usado por aqueles que tinham descoberto uma ferramenta antes de virar modinha, antes dela alcançar o grande público, quando ainda era roots. Era só você pegar algo e dizer que já o conhecia da época em que aquilo era só mato, como se tivesse sido um dos desbravadores da parada.

O do Twitter era mais ou menos assim:



Quando cheguei nesse site, isso aqui era só mato.. hj em dia vcs tem capa, gif, video, 4 imagens em um tweet...


Mas se tem uma coisa que a gente, realmente, podia dizer que era só mato é o Vale do Silício, ou melhor, um vale que não era só mato, mas pomares e terras cultivadas.

Foto do Vale do Silício tirada em 1914 no topo do Monte Hamilton

Hoje:
  • 39 das 1000 empresas mais valiosas dos Estados Unidos estão lá;
  • Metade dos investimentos de venture capital do país estão lá;
  • 1 quarto dos trabalhadores com tecnologia dos EUA estão lá;
  • A região tem um dos maiores índices de patente do país;
  • A média salarial daqueles que trabalham com tecnologia está lá (US$ 145 mil dólares/ano);
  • A maior taxa de milionários e bilionários per capita do país está adivinha onde: lá mesmo;
  • E claro, as milhares de startups que se aglutinam por lá para respirar inovação e ser o próximo Facebook ou Snapchat.
Confira a partir de agora como essa área – que não tinha nada de especial – passou a ser o local mais importante do mundo para a inovação e tecnologia.
Os antecedentes

Sem querer entrar em preciosismo histórico, a Califórnia já era habitada há milhares de anos, lógico, até ser roubada dos mexicanos e começar a viver sob domínio americano. Logo após a dominação ianque veio a Febre do Ouro, a corrida para o Oeste e a Califórnia passou por um boom populacional (1400% de crescimento em 10 anos). Pela primeira vez a costa Oeste passou a receber atenção do governo e com isso um acelerado crescimento da infraestrutura chegou à Baía de San Francisco.

Todas essas medidas de modernização tornaram o local autossuficiente, fazendo com que ele se mantivesse vivo e habitável mesmo após a dilapidação e esgotamento das minas – o que não ocorreu com a maioria das cidades mineradoras. Prova disso é que em 1891 seria fundada a univeridade de Stanford, uma das principais universidades do mundo, hoje, e fundamental, como veremos, para o surgimento do próprio Vale do Silício – região que compreende a Baía de San Francisco e arredores.

Stanford registrada em 1906 logo após o grande terremoto que acertou em cheio a Califórnia

Por sua numerosa mão de obra disponível, poços de petróleo, localização próxima ao oceano Pacífico e boa malha ferroviária e rodoviária na região, o local, desde cedo, teve a oportunidade de assumir papéis importantes na economia americana, industrializando-se e gozando de um desenvolvimento tecnológico inferior à costa Leste, mas ainda superior ao centro do país. Nada revolucionário até então, digasse de passagem, mas as bases para o Vale do Silício começaram a ser instituídas nesse momento.

A coisa começaria a mudar radicalmente após a segunda Guerra Mundial, durante a tensão da Guerra Fria. No decorrer dos anos 50 a população do Vale do Silício dobrou para 52 mil habitantes, 12 escolas foram construídas e bairros inteirinhos surgiram do nada para abrigar o batalhão de recém-formados engenheiros e professores de Stanford.


O motivo dessa nova imigração de massas foi que por ali instalou-se toda uma cadeia produtiva de material bélico de ponta que ia desde as matérias-prima e componentes elétricos básicos até o final da linha, culminando na Lockheed Missiles and Space Division (fabricante de mísseis balísticos para submarinos) e a Westinghouse (produtora de válvulas e transformadoras para os sistemas de mísseis).

Foi neste boom imigracional que o casal Paul e Clara se mudaram para Palo Alto. O seu sobrenome era Jobs, e o filho deles vocês já devem imaginar quem seja.

Assim iniciava-se um incipiente mercado tecnológico na região, com as empresas, em sua maioria, orbitando a defesa nacional. Mas ainda assim estávamos longe do surgimento daquele que mudaria tudo: O silício, afinal, o Vale não tem esse nome à toa. E para entender quando ele irá aparecer, precisamos voltar alguns anos e entender o que estava acontecendo no outro canto dos Estados Unidos, na Costa Leste, há mais de 8 mil Kms, mais precisamente em Nova Iorque.
O Transístor

Pois foi nessa cidade – mais precisamente em Manhattan – que o Bell Laboratories (tem esse nome por ser fundado por Grahan Bell, o inventor do telefone) faria história como um dos mais importantes institutos de pesquisas tecnológicas da época. Lá foram criadas, por exemplo, o circuito para computadores, a tecnologia de laser, a radioastronomia, a tecnologia para aparelhos celulares, o sistema Unix, a linguagem de programação C e C++, e, o mais importante de todos: o transistor.

Reunindo um time impressionante de gênios – 8 deles futuros vencedores do Nobel – a equipe do Bell Labs contribuiu conjuntamente para avanços que nenhum outro centro de pesquisa teria condições de propiciar. Porém, dentre todos os pesquisadores acima da média estava William Shockley, um físico teórico que assustava a todos por sua inteligência e entusiasmo.

Logo que ingressou no instituto, rapidamente, Shockley começou a trabalhar e contribuir com o campo da condutividade dos elementos. Dizem que ele podia olhar para um material e imaginar perfeitamente o modo como os elétrons moviam-se entre as camadas. 

Claro que ele não trabalhava sozinho, ele trabalhava com todos. A Bell Labs foi o pioneiro em muitas coisas, inclusive, no ambiente dinâmico das empresas tecnológicas. O seu novo prédio, que seria construído, por exemplo, fora projetado com longos corredores onde as pessoas seriam obrigadas a conviver, dividir espaços e com isso conversar e trocar ideias entre si, assim como a Apple fez com seu novo prédio, só que 70 anos antes.

Grandes avanços vieram desses encontros furtuitos, principalmente de Shockley e Walter Brattain que estavam perto de acabar com a vida das antigas válvulas. Até aquela época os computadores e tudo mais eram produzidos utilizando as antigas, lentas, grandes e pesadas válvulas. Tudo feito com elas seria enorme, caro e pesado. 

Porém, antes que eles contornassem os detalhes que impediam sua suas teorias de funcionar na prática, estourou a 2ª Guerra Mundial. Shockley, conhecido por seu brilhantismo, foi prontamente recrutado para o cargo de diretor de pesquisas do departamento de antissubmarinos da marinha americana. Brittain, por sua vez, foi para Washington trabalhar em outra frente, também, para a marinha.

Durante o tempo em que os 2 pesquisadores estiveram fora, os Laboratórios Bell passaram por uma mudança drástica, igualmente, por causa da guerra. O número de funcionários dobrou (agora eram 9 mil) e cerca de mil projetos foram desenvolvidos para as forças armadas. Eles precisaram, inclusive, mudar-se para uma propriedade maior em Murray Hill, Nova Jérsei.

Ao voltar da guerra os trabalhos foram retomados, mas Shockley foi colocado em um patamar mais elevado, o que acabava consumindo seu tempo com trabalhos burocráticos e o mantinha fora da ação. Para suprir sua vaga foi chamado um rapaz de nome John Bardeen.

Com muitas ideias novas Bardeen, com a ajuda de Brattain, conseguiu encontrar o detalhe que há alguns anos atrás, antes da convocação para a guerra, havia feito o experimento de Shockley dar errado. Assim surgiram os transístores e tudo mudou. Se antes você tinha uma única válvula que podia medir até 30 cm, agora tinha milhares de transístores alocados em uma placa de menos de 5 centímetros quadrados que eram mais baratos, mais simples, muito menores, mais rápidos e que nem mesmo esquentavam.

O Primeiro transístor apresentado em 1947 na Bell Laboratories

Todo mundo feliz, exceto um dos criadores, William Shockley. Shockley era sim um gênio, mas mais do que isso. Ele era egocêntrico, neurótico e, com uma incrível mania de superioridade que não podia aceitar o fato de não ter seu nome incluído como criador na patente do transístor (segundo o documento: John Bardeen e Walter Brattain).

Shockley – que já era uma pessoa de difícil convivência – tornou-se insuportável, não perdendo uma chance de criticar e humilhar algum colega para provar sua superioridade teórica (que as pessonas nem mesmo questionavam). A situação levou ao pedido de demissão de Brattain, enquanto Shockley fora – justamente – preterido em promoções para cargos mais altos.

A não promoção foi a gota d'água para ele. Shockley entrou em uma crise de meia-idade e em 1956 demite-se da Bell Labs, abandona a esposa com câncer, compra um carrão, arruma uma nova namorada, vai dar aula na Caltech e passa a ser consultor de defesa. 
O silício vai para o Vale

Muito apegado à mãe e querendo distância de todos, Shockley decide ir morar em Palo Alto onde poderá ficar perto dela, já adoentada e em idade avançada. Não esqueça que nesse momento o Vale ainda está no estágio que vimos no início do texto: 2 grandes empresas de segurança nacional e uma enorme área esperando para ser ocupada, entre elas, o parque tecnológico da universidade local.

E aqui precisamos dedicar alguns parágrafos a Frederick Terman, reitor da Universidade de Stanford que muitas vezes é esquecido nessa história toda de Vale do Silício. Terman é considerado um dos pais do Vale do Silício por ser aquele que visionou o potencial da região para a indústria tecnológica de ponta, e mais: ele fez questão de atrair os talentos para lá. Ao tornar-se decano das engenharias de Stanford ele batalhou até conseguir a autorização para que se criasse o Parque Industrial de Stanford onde a universidade daria apoio às empresas que quisessem começar.

Assim surgiu a primeira incubadora tecnológica do Vale do Silício, com cerca de 3 Km² de área disponível àqueles que quisessem sair da garagem e profissionalizar o negócio. Passaram por ali nomes como HP (fundada nos anos 30 e uma das primeiras empresas tecnológicas do Vale e uma referência para todos), General Electric, Lockheed, Kodak, entre outros. Sem o parque não teríamos nem o Vale nem muitas das empresas que surgiram por conta do ambiente frenético de troca de informações e vivências.

Sabendo que o famoso William Shockley, um dos maiores físicos teóricos de seu tempo estava pensando em montar uma nova empresa de ponta e tinha carinho pelo local, Terman não demorou a entrar em contato e fazer lobby sobre o parque: "Acho que se sua empresa se instalasse aqui, seria vantajoso para nós e para você", disse ele em carta onde tentava aliciar o pesquisador.

Terman (assim como Shockley) sabia do potencial do transístor, pois ele já estava revolucionando o modo como as pessoas lidavam diariamente com as inovações tecnológicas: A Texas Instruments havia lançado o Regency, em 1954, um rádio portátil com 4 transístores, que custava US$ 49,95 e acabou vendendo mais de 100 mil unidades em apenas 1 ano. Esta marca o colocou como um dos produtos novos mais populares e impactantes da história.


Shockley estava certo de que faria muito dinheiro: - "Sairei daqui e farei 1 milhão de dólares", ele disse quando pediu demissão da Bell. Porém, no momento, ele não fazia ideia de como concretizar o plano já que não tinha dinheiro suficiente para financiar a empreitada. A solução foi encontrar um dos pouquíssimos investidores que aceitariam colocar seu dinheiro em tecnologia.

Lembre-se que no final dos anos 50 a esmagadora maioria daqueles que tinham dinheiro para investir estavam em Nova Iorque, operando em Wall Street e colocando grana em coisas sólidas, como propriedades e cotas do governo.

Uma placa mostra onde a
empresa iniciou as operações
Investidores no estado da califórnia eram pouquíssimos, investidores dispostos a investir em tecnologia eram mais escassos ainda. Porém, a sorte tratou de ajeitar os detalhes e colocar Arnold Beckman no caminho de Shockley. Beckman havia sido seu professor na Universidade da Califórnia, sabia do que ele era capaz e o melhor: estava bastante milionário depois de uma série de invenções rentáveis.

Vendo os resultados já consolidados e também as possibilidades do futuro, Beckman não hesitou em criar a Shockley Semiconductor Laboratory, uma subsidiária de sua Beckman Instruments e uma das primeiras a funcionar dentro do parque industrial de Stanford.

Assim, oficialmente, o silício foi levado ao Vale, ou melhor, o transístor, na verdade os dois.

Acontece que o silício é um material considerado "supercondutor", que como o nome já deixa claro, o coloca no rol daqueles que melhor conseguem transmitir energia, ignorando quase que totalmente a perda da mesma. Que fique claro que ele não é o melhor supercondutor do planeta, seu ponto positivo reside é outro: ele é de fácil e barata onbtenção.

O silício é o 2º elemento mais abundante do planeta (perdendo só para o oxigênio) e pode ser encontrado bem abaixo dos nossos pés, literalmente, já que quase 1 terço da crosta é composta do material. Assim fica fácil escolher entre preencher os componentens eletrônicos de silício ou ouro, outro supercondutor, certo? 

À esquerda temos o silício em sua forma natural, o responsável pela revolução tecnológica pela qual passamos.

Shockley Semiconductor Laboratory 

Com o produto ideal e capital para iniciar a empreitada, só faltava 1 coisa para dar o pontapé inicial na Shockley Semiconductor Laboratory: Um time à altura.

Daqueles colegas da antiga Bell Labs que Shockley consultou e tentou levar para seu novo negócio, ninguém aceitou acompanhar um maluco que estava prestes a largar o maior polo industrial do país para abrir uma empresa no meio do nada, há quilômetros da linha de telefone mais próxima (e isso para não citar a sua imagem de uma pessoa insuportável e barraqueira).

Contudo, Shockley era respeitado como um dos maiores engenheiros do país e sua fama era amplamente conhecida no ramo (enquanto que sua fama de maníaco era abafada dentro do Bell). Através de anúncios em jornais não foi nem um pouco difícil para ele – que ainda ganharia o prêmio Nobel de física naquele ano de 1956 – arregimentar um time de jovens, talentosos e entusiasmados pesquisadores que aceitariam largar tudo para entrar de cabeça naquela que seria a 1ª empresa realmente do Vale do Silício.


Na nova empresa ele passaria anos tentando desenvolver o diodo de 4ª camada que, após implementado nos transístores, dispensaria os comandos de liga/desliga e, com isso, conseguiria simplificar e baratear os projetos. A ideia, porém, não se mostrou proveitosa e mesmo após todos os anos dispensados em sua busca, Shockley nada conseguiu. E pior: isso custou a ele a chance de acompanhar o futuro e embarcar na onda do circuito integrado, como veremos logo mais. 

Para piorar, ele estava cada vez mais neurótico. Após receber prêmio Nobel – e ter de dividi-lo com seus 2 ex-colegas de Bell Labs – ele pirou totalmente. A partir de então, sempre que iria fazer uma contratação, aplicava pessoalmente um teste de Q.I. aos candidatos e os cronometrava durante as respostas. Depois de contratados os funcionários poderiam ser surpreendidos, sem motivo algum, por um teste com detector de mentiras!! E sim, isto ocorreu quando uma secretária cortou o dedo no trabalho e Shockley pensou estar sendo alvo de uma conspiração. Nem mesmo Beckman conseguia escapar das investidas ferozes de Shockley.

Uma das fotos da ocasião do Nobel na qual Shockley adonou-se de um microscópio alheio no momento exato para que parecesse o mais importante do trio. à sua esquerda John Bardeen e à direita Walter Brattain.

Com esse ambiente de trabalho não demorou muito para que os engenheiros começassem a se rebelar e levassem suas críticas à direção. Arnold Beckman, que era um excelente engenheiro, nada tinha de gestor e preferia empurrar os conflitos com a barriga do que sentar com as partes envolvidas e os resolver. Quando o grupo de funcionários insatisfeitos viu que nada seria feito frente às atitudes de Shockley, 8 deles resolveram pedir demissão.

Eles ficaram conhecidos como os 8 Traidores. Mas antes de entrar no próximo capítulo, há 2 nomes deste grupo que merecem destaque: Robert Noyce e Gordon Moore.

Noyce era o líder nato que Shockley não conseguiu ser. Assim como os demais pioneiros do Vale, ele era mais um dos gênios que foram moldados desde cedo inventado coisas na garagem do pai. Quem o conhecia dizia que nele tudo era perfeito: voz, sorriso, era bonito, era carismático e excelente para lidar com as pessoas. Tinha o que podia ser chamado de “aura”, segundo seu biógrafo.

O investidor da sua futura empresa – que veremos abaixo – só concordou em colocar seu dinheiro no projeto se Noyce fosse o responsável pelo empreendimento. Por essas e outras que ele era conhecido como o prefeito do Vale do Silício.

E se Noyce era o prefeito do Vale, Moore é considerado como a pessoa mais reverenciada e amada da região. Calmo e de fala baixa ele é o criador da famosa Lei de Moore que desde os anos 70 tem previsto com exatidão a evolução dos processadores tanto em potência e número de componentes como em miniaturização.

Robert Noyce à esquerda e Moore à direita

Menos de 1 ano após o início das atividades a Shockley Semiconductor Laboratory sofreu com as primeiras consequências da conduta de William Shockley. Este não resistiu à própria armadilha e ficou cada vez mais refém de sua própria mente. Passodos 6 anos da fundação, sem os seus melhores engenheiros, sem ter conseguido inventar nada tão revolucionário quanto o transistor e após perder a largada da próxima grande guinada tecnológica ele desistiria das pesquisas, a Shockley Semiconductor Laboratory seria vendida e ele iria dar aulas em Stanford.

Sua paranoia intensificou-se ainda mais e ele se tornou obcecado com a ideia de os negros serem geneticamente inferiores e queria provar através de testes de QI o porquê deles não poderem “se reproduzir”. Um triste fim para um dos caras mais importantes do mundo da tecnologia.
Os 8 traidores

Agora, 8 desempregados passavam pelo drama de ter uma ideia, mas não terem como a tirar do papel. O caminho foi o mesmo que Shockleu havia tomado no ano anterior: recorrer a um investidor externo. O "escolhido" foi Sherman Fairchaild, fundador da Fairchaild Aircraft e Fairchaild Camera, um milionário que apostou rapidamente 1.5 milhão de dólares na ideia (o dobro do que fora pedido) e fez nascer a Fairchild Semicondutor.

Os 8 Traidores. Moore é o primeiro da esquerda para a direita e Noyce está no meio.

A condição para o investimento acima do que fora pedido, no entanto, não foi à toa: Com isso Fairchild teria a prioridade de compra do negócio se tudo desse certo em até 3 anos. E como não dar certo? A demanda por transístores crescia a passos largos por 2 motivos: os rádios de bolso que vendiam feito água e ao Sputnik.


Sputnik foi o foguete lançado pelos russos em 4 de outubro de 1957, apenas 3 dias após a fundação da Fairchild Semiconductors, e que daria início a competição pelo espaço. O programa espacial americano – junto do programa militar que fabricava mísseis – impulsionaria ainda mais a demanda por transístores e computadores. E o mais importante: como os 2 deveriam ser pequenos o bastante para caber no “nariz” dos foguetes, a pesquisa por novas tecnologias e miniaturização teria de avançar a passos largos.

O mais legal é que com mais empresas surgindo no Vale, mais pesquisas eram feitas e mais resultados eram obtidos. Às vezes até resultados “repetidos”, como foi o caso da evolução do transistor.

As nova versão consistia em uma placa que combinava diversos grupos de transistores e capacitores e conseguia – ao mesmo tempo – gerar mais eficiência em um espaço muito menor de hardware. Assim criou-se tanto na Texas Instuments, como na Fairchild, o primeiro circuito integrado, ou em outras palavras, o microchip.

O Primeiro – e ainda bastante rudimentar – circuito integrado apresentado, em 1958, na Texas Instruments

O primeiro mercado para a nova tecnologia foi novamente o militar.

Cada míssil balístico Minuteman II, produzido pela Boeing a partir do final da década de 50, precisava de 2 mil microchips (e este era apenas 1 dos mísseis que os utilizava). Em breve, diversas empresas estariam fabricando os pequenos computadores.

E apenas para pontuar como o microchip fora importante também para os civis, veja o que a Texas Instruments fez dessa vez (não esqueça que ela, també, já havia criado o rádio portátil e popularizado os transistores alguns anos atrás entre os "populares"): Uma calculadora de mesa. Sim, estas calculadoras que hoje em dia compramos nas lojas de R$ 1,99 já foram objeto de luxo algumas décadas atrás.

Na época elas custavam cerca de mil dólares (mais de 8 mil em valores corrigidos) e eram um verdadeiro trambolhão. A sacada de Patrick Haggerty (o mesmo cara do radinho) foi que eles poderiam baratear, diminuir e popularizar a calculadora utilizando os microchips.

Assim, em 1967 eles lançavam uma versão mais portátil (cerca de 1 kg) custando "apenas" 150 dólares e que fazia as 4 operações matemáticas básicas. Mais um enorme sucesso que, além de encher a empresa de dinheiro, abriu caminho para algo que Steve Jobs adorava criar: “coisas que as pessoas nem sabiam que precisavam”. Em breve vários produtos do dia a dia consumidos pelas pessoas estariam repletos de microchips.


Mas a Fairchild também se deu bem nessa história toda. Em apenas 2 anos depois a criação da empresa ela já tinha passado de 12 para 12 mil funcionários e tinha uma receita de mais de 130 milhões de dólares por ano (mais de 1 bilhão em valores corrigidos). Nos anos seguintes eles seriam os fornecedores exclusivos do mais de 1 milhão de microchips que o programa Apollo utilizou para levar o homem à lua.

Uma nova cultura

Mesmo com o impacto incalculável do microchip para as pessoas, outra “invenção” da Fairchild deve ser considerada a mais importante. Algo menos palpável, mas ainda assim tão revolucionário quanto: eles criaram uma cultura.

Primeiramente, antes de pensarmos no impacto gerado, temos que pensar no paradigma que existia na época. Estamos falando dos anos 60, antes da Guerra do Vietnã e do movimento Hippie, quando era comum que uma pessoa se formasse, arrumasse um emprego, fizesse carreira e se aposentasse na mesma empresa que começou há 40 anos atrás. Essa era a lógica do mercado, inclusive do mercado tecnológico que existia no Vale do Silício. 

Foi com o dia a dia de uma empresa mais “desregrada” que muitos dos funcionários viram que não era impossível criar seu próprio negócio e que o Vale do Silício tinha oportunidades de sobra para quem quisesse começar do zero. Noyce era totalmente avesso ao sistema da costa leste e seus cargos, hierarquia rígida e comando centralizado. Assim, fazia questão de que na Fairchild tudo fosse "fora do padrão". Jornalistas da épica que visitaram a empresa noticiaram surpresos que ele tinha uma mesa simples e de metal posicionada no meio de todo mundo (contrariando a lógica comum onde quanto maior o cargo, maior a mesa e melhor a qualidade da madeira). Inclusive funcionários recém-contratados tinham mesas espalhafatosas de madeira enquanto ele preferia a simplicidade.

Mesmo o financiamento agora era possível. Até então, conseguir um investidor para uma ideia high-tech era muito difícil, mas quando as empresas de investimento da costa Leste (principalmente Nova Iorque) viram o lucro de Fairchild na transação da Fairchild Semiconductors, as atenções foram todas direcionadas a Palo Alto, Mountainview e as minas de dinheiro que poderiam nascer a qualquer momento.

Assim, durante os próximos anos, surgiriam as Fairchildrens, as empresas que se desenvolveram de funcionários da Fairchild. Alguns dos nomes incluem:
  • AMD
  • Atmel
  • National Semiconductor
  • LSI
  • PMC-Sierra
  • Sequoia Capital
  • Signetics
  • Synaptics
  • Xilinx
  • Zilog
Algumas foram criadas pelos 8 engenheiros iniciais e outras por funcionários contratados ao longo das próximas décadas (a Fairchild existe até hoje).


E até mesmo os seus fundadores entraram no clima. Em 1968, quando já gozavam do contrato com a Nasa, e a companhia havia alcançado uma lucratividade jamais imaginada, Robert Noyce e Gordon Moore estavam desapontados com o tamanho que ela havia tomado e que, consequentemente, fazia com eles acabassem atolados de trabalho burocrático e não pudessem mais colocar a mão na massa.

Com esse pensamento na cabeça os 2, ricos e bem-sucedidos, resolveram abandonar tudo para criar uma nova e incerta empresa. Um novo negócio que focaria nos microchips e acabaria por criar o primeiro processador do mundo, dando o próximo passo na revolução digital. A empresa é hoje a maior fabricante de chips semicondutores do mundo em rendimentos, a Intel, criada em 1968.

Os fundadores em frente ao prédio da Intel em Santa Clara, 1970.

E depois?

De lá para cá, o resto é, literalmente, história. E assim, por causa da guerra, de um louco, de um reitor quase nunca lembrado e um punhado de mentes criativas na hora certa e no local certo criou-se o local mais efervescente e brilhante da tecnologia.

Por causa deles é que podemos, hoje, viver o futuro e ver as inovações ocorrendo em uma velocidade quase que diária.

Se quiser saber mais, leia o livro que traz um estudo completo sobre o tema: Inovadores. Você pode comprá-lo aqui! Bye!


A Assinatura Emocional das Cores


Temos por hábito aceitar o mundo a nossa volta pelo seu valor aparente, sem nos preocuparmos em analisar ou conhecer o caminho percorrido por determinados valores que hoje estão de tal maneira integrados em nossa sociedade e cultura que, praticamente, os consideramos parte da natureza. Assim é com o uso das cores, roupas, calçados, bolsas, a decoração de nossas casas, a estrutura arquitetônica e urbana das cidades e até nossos hábitos sociais e culturais.

É interessante observar as peculiaridades do ser humano. Enquanto as ciências são disciplinas que requerem frieza e ação repetitiva para atingir resultados, os maiores esforços intelectuais e psicológicos são feitos nas áreas abstratas como artes e religião. Talvez por sua impossibilidade de comprovação em termos materiais e serem, na sua totalidade, um trabalho do espírito do homem.

Desde que os primeiros homens começaram a usar as cores como forma de magia para atrair, através de seus poderes, a tão preciosa caça, as cores passaram a ter um papel cada vez mais fundamental e simbólico em todas as culturas do mundo.


Dos babilônios aos egípcios as cores eram parte fundamental da cultura e religião, definindo e expressando toda a força mística destas. Era também através da magia das cores que a classe dominante controlava a política e dominava o povo. Ambos os povos usavam e abusavam do fascínio e das emoções que o uso indiscriminado das cores exercia sobre os indivíduos. Seus palácios, templos e monumentos eram pintados com cores vivas e contrastantes que bombardeavam os sentidos, de maneira a intimidar todos os que deles se aproximavam. O povo em geral usava vestimentas de cores neutras, como branco, bege ou cinza e as cores vibrantes eram reservadas à elite fazendo com que esta pudesse usar o poder que elas exerciam sobre os sentidos, de maneira intimidante, para garantir seu domínio.

Já na Índia e na China o poder das cores é usado há milhares de anos como forma de energia que influencia todos os aspectos da vida. Os centros energéticos do corpo, conhecidos como Chakras pelos budistas e hindus são regidos pelas cores, de maneira que seu uso deve ser estudado e todo cuidado deve ser tomado para que o equilíbrio entre o material e o astral se mantenha inalterado fazendo com que a saúde, a sorte e a sanidade sejam sempre preservadas.

As culturas orientais acreditam que as cores, além de controlar os aspectos físicos e espirituais do ser humano, exercem uma imensa influência sobre as situações do cotidiano. Por isso é importante que toda e qualquer vestimenta seja examinada de um ponto de vista ideal para a situação que deva ser controlada. Situações específicas requerem cores específicas. Religião, guerra, política, cada qual com sua combinação correta para obter-se uma solução desejada.

Na tradição hebréia, nos mistérios da Cabala, as cores também exercem poderosa influência demonstrando assim que, basicamente, todas as culturas e povos do mundo, de uma maneira ou outra, tiveram oportunidade de observar e comprovar a força das cores e a veracidade sobre sua capacidade de influenciar os acontecimentos.

Na cultura ocidental foi a religião que fez uso das cores de maneira a simbolizar diferentes aspectos espirituais, reforçar sua autoridade, intimidar seus seguidores, mantendo uma aura de mistério e respeito. Diferentes cores são usadas para simbolizar diferentes posições hierárquicas dentro das diversas religiões. Padres, pastores, bispos, cônegos ou papas, cada qual usa de uma específica cor, de maneira que possam ser identificados instintivamente por aqueles com quem se relacionam, criando assim uma situação em que são vistos em uma posição psicologicamente destacada.

A ciência moderna com seu desdém a respeito de tudo o que considera irrelevante, classificando como crendices populares, foi incapaz de relegar a essa categoria a influência exercida pelas cores em todos os aspectos de nossas vidas. Com todos os esforços feitos para destruir mitos e crenças, a eficácia do uso das cores como ferramenta de controle do meio ambiente vai se confirmando em todos os aspectos avaliados. Da psicologia ao urbanismo e passando por todos os aspectos esotéricos possíveis, o uso das cores é a forma mais eficaz e agradável de controle sobre nossa vida.

Mito e realidade: duas coisas que sempre foram consideradas diametralmente opostas entre si. Mas o que exatamente é mito? Segundo as enciclopédias mito é tradição que, sob forma de alegoria, deixa entrever um fato natural histórico ou filosófico.

O objetivo do mito, como ciência, é explicar o mundo e tornar seu significado inteligível. Seu propósito científico é oferecer ao homem uma maneira de influenciar o universo, de se certificar da possessão material e espiritual do mesmo. Em um universo cheio de incertezas e mistérios o mito intervém para introduzir o elemento humano. As nuvens no céu; a luz do sol; um mar tempestuoso; todos esses fatores incompreensíveis perdem seu poder aterrorizante tão logo são relacionados com a sensibilidade, intenções e motivações que cada indivíduo experimenta diariamente.

Mito e as verdades científicas constantemente contestadas, são diferentes aproximações da verdade, do enigma dos enigmas, o qual, após tantas realizações e descobertas, ainda permanece firmemente indecifrável. De certa maneira a concepção da existência do átomo no início do século XX era um mito que não só comprovou-se ser verdadeiro como também foi ultrapassado.

Contudo, com a ajuda do mito resolvemos milhares de problemas diários e atingimos equilíbrio moral e mesmo sabedoria.

A intensa ligação entre nossos sentidos e as emoções que as cores evocam intensificou-se de tal maneira que, hoje, fazem parte de nossa inteligência emocional e estão gravadas em nossa memória genética.

O negro nos dá uma sensação de apreensão por estar ligado à escuridão da noite quando nossos ancestrais mais primitivos se viam a mercê dos predadores. Apesar de milhares de anos terem se passado, e do homem ter alcançado as estrelas, tais sensações de pavor e impotência; de incerteza e desespero, provocados pela insegurança de uma vida desprovida das certezas que o conhecimento traz. Fez com que o homem jamais conseguisse superar o trauma de sua infância neolítica.

Do mesmo modo, porém com um efeito não tão sinistro, o azul claro nos dá a sensação de liberdade de um céu claro e limpo e das paisagens abertas onde o perigo poderia ser previamente detectado e mantido a distância, proporcionando ao homem moderno uma sensação de poder e bem estar.

O amarelo e o vermelho evocam o calor do sol e a proteção do fogo respectivamente, nos dando uma sensação de conforto, segurança e relaxamento proporcionados pelas lembranças de um abrigo seguro contra as intempéries e os inimigos que rondavam a noite sem, no entanto, criar coragem para enfrentar o poder destrutivo da mais nova e poderosa arma do homem, o uso do fogo.

O uso dado às cores, conforme os hábitos das diversas culturas mundiais durante o decorrer dos séculos, tinha o objetivo de obter resultados dirigidos diante de situações específicas como ferramenta de manipulação psicológica que, segundo a sabedoria popular, tem provado ser muito mais acurada do que se imaginava.

Branco

Pitágoras, o filósofo grego, acreditava que a cor branca continha, além de todas as outras cores, todos os sons. Esta crença reflete-se na propriedade da cor branca de representar a divindade, sinceridade e transformação nos simbolismo do som dos sinos e gongos.

Muitos dos antigos templos e das atuais igrejas são brancas.

As tradições nipônicas consideram o branco a cor do luto.

Preto

Na Idade Média o negro era associado à Saturno, o porco, ao Domingo e ao nº 8.

Em Madagascar uma pedra negra é colocada em cada um dos quatro pontos cardeais, sobre o túmulo, para representar a força da morte.

Já para os antigos egípcios a negra lama do Nilo representava um renascer e os gatos pretos eram considerados duplamente sagrados diferindo das crenças ocidentais da Idade Média, nas quais os gatos e lebres pretos eram considerados familiares, isto é, mensageiros do demônio.

Na Roma antiga sacrificavam-se bois pretos para satisfazerem os deuses das profundezas.

Nas Ilhas Britânicas existem histórias de um cão negro, parte fada parte fantasma que, se visto, acaba com o bom humor do infeliz que estiver olhando na sua direção.

Vermelho

O Vermelho é uma cor mágica em muitas culturas, representa o sangue, a essência da vida.

Ervas eram amarradas com uma fita vermelha e esta era, por sua vez, amarrada em volta da cabeça para aliviar a dor da enxaqueca.

Os chapéus dos gnomos a capa das fadas e o chapéu dos magos são, muitas vezes descritos como vermelhos. E muitos fantasmas tem sido vistos enrolados em flanela vermelha.

A cor vermelha é bastante desagradável para os maus espíritos, por essa razão, na China, os rabichos dos sábios eram trançados com uma fita vermelha para afastar os maus espíritos e as mães faziam o mesmo com o cabelo das crianças ou as costuravam dentro do bolso pela mesma razão.

No Japão, crianças com catapora são mantidas em um quarto totalmente vermelho, vestidas com roupas vermelhas para apressar o processo de cura.

Os ingleses usavam lenços vermelhos no pescoço para afastar os espíritos que causavam o resfriado e as runas dos povos nórdicos eram marcadas em vermelho.

Amarelo

Os corpos dos aborígines australianos são pintados com ocre amarelo nas cerimônias funerárias.

Na China os magos escrevem seus feitiços em papel amarelo para aumentar sua potência.

Na Idade Média tanto Judas como o Diabo eram representados vestidos de amarelo.

Laranja

As laranjeiras fornecem uma generosa colheita ano após ano e, tanto nas culturas ocidentais como orientais, suas flores são usadas pelas noivas como um símbolo de fertilidade.

Púrpura/ Magenta e Violeta

Púrpura/ Magenta e Violeta são, na verdade, representações de uma mesma cor, que variam na intensidade de luz. É um tom especialmente sagrado para as culturas romanas e egípcias nas figuras de Júpiter e Osíris. Associa-se às dimensões sagradas, justiça, diligência, nobreza de espírito, pensamento religioso, idade avançada e inspiração.

Na igreja católica o Púrpura/Magenta é usado pelos sacerdotes para transmitir santidade e humildade.

Na China o violeta simboliza a morte e é a cor das viúvas.

Rosa

O Rosa é outra cor ligada à deusa romana e grega do amor e da beleza, Vênus e representa os aspectos mais suaves do amor e bondade.

Dourado

O Dourado é o poder do sol e suas deidades como o deus egípcio Ra e o deus grego Apolo.
Na Idade Média os curandeiros prescreviam água ou licores com folhas de ouro para a cura de problemas nos olhos e como tratamento das doenças graves.

Azul

O Deus dos Judeus ordenou aos israelitas que usassem um barrado azul em suas roupas.

É a cor das roupas de Odin, deus supremo dos povos Nórdicos.

O deus hindu, Vishnu era azul.

É a cor das roupas de Nossa Senhora.

Azul era a cor sagrada dos Druidas; no dia 18 de Agosto, durante a celebração do Eisteddfod no velho país de Gales, druidas desejando obter o título de Bardos vestiam-se de verde para a cerimônia; aquele que ganhasse o título recebia permissão para fazer a leitura de um livro de runas, era abençoado com uma espada e ganhava uma fita Azul. Daí por diante o novo bardo se unia ao grupo tão honrado em Gales.

Na Escócia as pessoas usam roupas azuis para restaurar a circulação.

No norte da Europa, por volta de 1600, um pano azul era usado no pescoço para evitar doenças.
Culturas asiáticas acreditam que vestir ou carregar algo azul afasta o mau olhado.

Nas culturas orientais o azul é conhecido como o envelope áurico que contém e sustém a vida.

Verde

Na Irlanda o verde é associado às fadas e acredita-se que pode dar azar devido a esta ligação. Entretanto se você soprar gentilmente a lanugem do cardo ou do dente-de-leão para ajudar as fadas no seu caminho, você pode usar esta cor com impunidade.

No antigo país de Gales, Verde era a cor usada pelos druidas durante a cerimônia do Eisteddfod.
O Verde é muito usado nos hospitais com base na crença de que esta cor ajuda o processo de recuperação da saúde.

Marrom

Nas culturas orientais acredita-se que o Marrom incorpore toda a força natural do elemento terra. A força vital do nosso planeta.

As culturas orientais acreditam que as estações, a natureza e até os pontos cardeais exercem direta influência sobre nossa vida, fazendo com que se tenha sorte, dinheiro e até uma vida amorosa bem sucedida.

Em todos os setores, se levarmos em consideração as cores dos elementos e suas conotações temporais, podemos jogar com tons e nuances de maneira a conseguir uma gama maior de opções, sem obstante perder sua eficácia.

As cores representam aspectos da natureza e trazem para nossa vida as mágicas qualidades básicas dos elementos que representam.

A mágica foi a primeira expressão espiritual do homem e vem fazendo parte de nossa sociedade por milênios. Mudando de forma e denominação em relação direta com as mudanças políticas e sociais de um povo, passou a ter diversos nomes e formas de expressão como, fé, preceitos, conhecimento, sabedoria, mito, religião, etc, porém continua basicamente o que sempre foi, pura magia.

A definição oficial de magia, segundo os dicionários é: a arte de produzir, por meio de certos atos e palavras, efeitos contrários às leis naturais; fascinação; encanto; instituição baseada na crença da força sobrenatural, regulada pela tradição e constituída de práticas, ritos cerimônias em que se faz apelo às forças ocultas e se procura alcançar o domínio do homem sobre a natureza.

E assim tem sido por mais de vinte e sete mil anos, desde as primeiras manifestações do poder das cores nas paredes das cavernas, aos mais insignificantes objetos, passando por casas, carros e tecidos, pois todos também tem como objetivo manipular as emoções do público consumidor com seus estilos e design, usando as cores para garantir uma posição de destaque em seu meio.


terça-feira, 28 de março de 2017

Como Fazer Coelhos de Origami


Como a Páscoa está chegando, nada mais propício do que trazer aqui alguns modelos de dobraduras de coelho com instruções através de diagramas. Todos estão disponíveis na internet. Confira:

Coelho de Hsi-Min Tai


Dobradura de coelho, criado do Hsi-Min Tai e dobrado por Jo Nakashima.

Modelo intermediário muito bonito e bem detalhado. Ideal para usar a técnica wetfold. Diagramas aqui.

Coelho de Vera Young.


Dobrado e criado por Vera Young.

É um modelo simples e bem bonito, com uma traca de cor na cabeça.
Diagramas disponíveis aqui.

Coelho de Hsi Hua Liu


Dobradura de coelho criado por Hsi Hua Liu, dobrado por mim.

Velho conhecido dos leitores do blog, resulta em uma coelho com uma estética diferenciada. Fotodiagramas aqui.

Coelho de O'Hanlon Stephen


Coelho de O'Hanlon Stephen, dobrado por RR.

Um modelo simples. Os diagramas são feitos à mão, mas são bem claros.
Diagramas aqui.

Máscara de Coelho de Hoàng Tiến Quyết


Cabeça de coelho criada e dobrada por Hoang Tien Quyet.

Um modelo intermediário. Somente o CP está disponível. O CP é relativamente simples, a partir de uma base peixe. A parte mais complicada são os detalhes finais - que devem ser feitos usando a técnica wetfold. CP aqui.

Coelho de Hoàng Tiến Quyết - A partir de um retângulo


Coelho de Hoang Tien Quyet, dobrado por Jose Moctezuma.

Modelo intermediário feito a partir de um retângulo de dimensões 2:1.
Diagrama aqui.

Coelhos de Hoàng Tiến Quyết - A partir de um triângulo


Criados e dobrados por Hoang Tien Quyet.

Modelo muito simples feito a partir de um triângulo retângulo. Há interessantes trocas de cor nesse modelo. A parte mais complicada é a finalização.
Fotodiagrama aqui.

Coelho de Tetsuya Gotani


Coelhos de Tesuya Gotani.

Um modelo intermediário que resulta em um coelho apoiado nas patas dianteiras.

Diagramas aqui.

Coelho de Noboru Miyajima


Coelhos de criados Noboru Miyajima.

Coelho de dificuldade intermediária que resulta em um peça bem detalhada. Olhos e orelhas com trocas de cor. Diagramas aqui.

Coelho de Xander Arena


Coelho criado por Xander Arena.

Modelo simples que resulta em um coelho detalhado, com trocas de cor (não aparece na figura).

Diagramas aqui.

Coelho de Assoprar


Coelhos de assoprar, um modelo provavelmente tradicional.

Um modelo muito bem pensado que resulta em uma "caixa-coelho". Deve ser soprado para adquirir essa forma.

Diagramas aqui.

Recipiente de Coelho de Chan Hon Fai Jacky


"Bunny cup", criado por "Jacky Chan", dobrado por Jessica Jones.

Um modelo bem simples que resulta em um coelho com espaço no interior para colocar os doces e ovos.

Vídeo tutorial aqui.

Coelho de Kyu Seok Oh


Coelho de Kyu Seok Oh, por origami em blog.

Um modelo intermediário com um toque de cartoon. Fotodiagramas aqui.

Coelho de Eric Vigier


Coelho de Eric Vigier.

Um modelo intermediário que resulta em uma peça bem realista.

Diagramas aqui.

Coelho de Yamada Katsuhisa


Coelho de Yamada Katsuhisa

Um modelo bem simples mas bem bonito. Diagrama aqui.

Coelho de József Zsebe


Coelho, criado e dobrado por József Zsebe.

Outro modelo bem simples mas bem bonito. Diagrama aqui.


segunda-feira, 27 de março de 2017

Saiba mais sobre o projeto de lei da terceirização


Nesta última quarta-feira (22), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do projeto de lei que autoriza o trabalho terceirizado de forma irrestrita para qualquer tipo de atividade. O projeto seguirá agora para sanção presidencial.

Enviada ao Congresso pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1998, a proposta já havia sido aprovada pela Câmara e, ao passar pelo Senado, sofreu alterações. De volta à Câmara, o texto aguardava desde 2002 pela análise final dos deputados.

Em 2015, a Câmara aprovou um outro projeto, com o mesmo teor, durante a gestão do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O texto foi enviado para análise do Senado, mas ainda não foi votado.

Veja abaixo perguntas e respostas sobre a terceirização

O que é?

Na terceirização, uma empresa prestadora de serviços é contratada por outra empresa para realizar serviços determinados e específicos. A prestadora de serviços emprega e paga o trabalho realizado pelos funcionários. Não há vínculo empregatício entre a empresa contratante e os trabalhadores das empresas prestadoras de serviços.

Como é hoje?

Hoje, não há legislação específica sobre terceirização. No entanto, existe um conjunto de decisões da Justiça - chamado de súmula - que serve como referência. Nesse caso, essa súmula determina que a terceirização no Brasil só é permitida nas atividades-meio, também chamadas de atividades secundárias das empresas.

Auxiliares de limpeza e técnicos de informática, por exemplo, trabalham em empresas de diversos ramos. Por isso, suas ocupações podem ser consideradas como atividades-meio, ou seja, não são as vagas principais da empresa.

Como deverá ficar?

Se a lei for sancionada pelo presidente Michel Temer, haverá permissão para terceirização de qualquer atividade.

Uma escola, por exemplo, poderá contratar de uma empresa terceirizada tanto faxineiros e porteiros (atividades-meio) quanto professores, que são essenciais para dar aulas (atividades-fim).

Quem vai contratar os funcionários e pagar os salários?

O trabalhador será funcionário da empresa terceirizada que o contratou. Ela que fará a seleção e que pagará o salário. Por exemplo, uma fábrica de doces contrata uma empresa terceirizada que presta serviço de limpeza. Os auxiliares de limpeza, nesse caso, serão funcionários da empresa terceirizada, que os contratou, não da fábrica de doces.

Existe algum vínculo de emprego entre a empresa que contratou os serviços da terceirizada e os funcionários da terceirizada?

O projeto aprovado pela Câmara não prevê vínculo de emprego entre a empresa que contratou o serviço terceirizado e os trabalhadores que prestam serviço. Por exemplo, um garçom terceirizado não terá vínculo de emprego com o restaurante onde trabalha. Seu vínculo será com a empresa terceirizada que o contratou para prestar esse tipo de serviço.

Caso os trabalhadores terceirizados fiquem sem receber e procurem a Justiça, qual das empresas vai ter que pagar?

O texto aprovado prevê que a empresa que contratou o funcionário é responsável pelo pagamento. O processo corre na Justiça do Trabalho como qualquer outro. No entanto, se a terceirizada for condenada pela Justiça a pagar e não tiver mais dinheiro nem bens, a empresa que contratou seus serviços será acionada.

E as contribuições previdenciárias?

De acordo com texto aprovado, as contribuições ao INSS deverão seguir uma regra já determinada em lei. A empresa que contrata a terceirizada recolhe 11% do salário dos funcionários. Depois, ela desconta do valor a pagar à empresa de terceirização contratada.

Como ficam as condições de trabalho dos terceirizados?

É facultativo garantir aos terceirizados o mesmo atendimento médico e ambulatorial destinado aos empregados da contratante, assim como o acesso ao refeitório. Já as mesmas condições de segurança são obrigatórias.

Há alguma mudança para os trabalhadores temporários?

Nesta quarta-feira, também foi aprovada ampliação do tempo em que o trabalhador temporário pode ficar na mesma empresa. De três meses, o prazo foi ampliado para seis meses. Além desse prazo inicial, poderá haver uma prorrogação por mais 90 dias.

Na prática, a extensão do prazo de contratação de trabalhador temporário para nove meses já estava valendo por meio de portaria do governo de 2014. No entanto, após a sanção desse projeto de lei aprovado na quarta-feira pela Câmara, o novo prazo vira lei.

Qual é a avaliação que fazem da aprovação da terceirização?

Críticos da proposta enxergam na possibilidade de terceirização da atividade-fim uma abertura generalizada que precarizará uma modalidade de trabalho já fragilizada.

Favoráveis ao texto, no entanto, afirmam que a regulamentação trará segurança jurídica e terá resultados na geração de emprego, razão pela qual o tema ganhou o interesse do Palácio do Planalto.

Fonte: JusBrasil e G1